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Meu compromisso é com a Memória do "Invisível".

Pelo direito a autodeterminação dos povos e apoiando a descolonização do saber.

Ano 5523 de Abya Yala

523 anos de Resistência Indígena Continental.

JALLALLA PACHAMAMA, SUMAQ MAMA!

Témet timuyayaualúuat sansé uan ni taltikpak
Nós mesmos giramos unidos ao Universo.
Memória, Resistência e Consciência.

13.12.08

Os Sateré-Mawé-os filhos do Guaraná.


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 Foto de autor desconhecido.

Nós somos como um Pássaro no Mundo.
(palavras de um  Mawé)


Sateré-Mawé (Maués) é o nome da etnia também conhecida por Maooz, Mabué, Mangués, Manguês, Jaquezes, Maguases, Mahués, Magnués, Mauris, Maraguá, Mahué, Magueses ... 

Os Sateré-Mawé habitam a região do médio rio Amazonas (Brasil), na divisa dos estados do Amazonas com o Pará. A TI Andirá-Marau foi demarcada em 1982 e homologada em 1986 com 788.528 hectares, nos municípios de Maués, Barreirinha, Parintins, Itaituba e Aveiro (AM e PA).
Segundo estimativa da FUNASA de 2008, existem 9.156 Sateré-Mawé. É importante salientar que, a partir da década de 1970, intensifica-se notavelmente o fluxo migratório em direção a Manaus. Em 1981, o antropólogo Jorge Osvaldo Romano contou 88 Sateré-Mawé vivendo na periferia dessa cidade. No final da década de 1990, esse número cresceu significativamente, chegando a algo próximo de 500 Sateré-Mawé, distribuídos entre diferentes conjuntos habitacionais na zona Oeste de Manaus. O modo de sustento dessa população urbana está baseado, na maioria dos casos, na venda de artesanato para turistas.
Historicamente resistiram à colonização impedindo seu povo de seguir os ritos religiosos dos brancos.
Inventores da cultura do Guaraná, os Sateré-Mawé transformaram a Paullinia Cupana, uma trepadeira silvestre da família das Sapindáceas, em arbusto cultivado, introduzindo seu plantio e beneficiamento. O guaraná é uma planta nativa da região das terras altas da bacia hidrográfica do rio Maués-Açu, que coincide precisamente com o território tradicional Sateré-Mawé.

Os Sateré-Mawé se vêem como inventores da cultura dessa planta, auto-imagem justificada no plano ideológico por meio do mito da origem, segundo o qual seriam os Filhos do Guaraná.

O Guaraná é o produto por excelência da economia Sateré-Mawé, sendo, dos seus produtos comerciais, o que obtém maior preço no mercado. É possível ainda pensar que a vocação para o comércio demonstrada pelos Sateré-Mawé se explique pela importância do guaraná na sua organização social e econômica.
Possuem rica cultura material, sendo os teçumes sua maior expressão. Eles designam por teçume o artesanato confeccionado pelos homens com talos e folhas de caranã, arumã e outros, com os quais fazem peneiras, cestos, tipitis, abanos, bolsas, chapéus, paredes, coberturas de casas etc.
Grande ênfase é dada ao Porantim na cosmologia Sateré-Mawé. O Porantim é uma peça de madeira com aproximadamente 1,50m de altura, com desenhos geométricos gravados em baixo relevo, recobertos com tinta branca, a tabatinga. Sua forma lembra a de uma clava de guerra ou a de um remo trabalhado. O Porantim possui um leque de atributos: é o legislador social e os Sateré-Mawé freqüentemente se referem a ele como sendo sua Constituição ou sua Bíblia. Possui poderes de entidade mágica, uma espécie de bola de cristal que prevê acontecimentos, podendo andar sozinho para apartar desavenças e conflitos internos. É também o suporte onde estão gravados, de um lado, o mito da origem ou a história do guaraná, e de outro, o mito da guerra. Posiciona-se, portanto, para a sociedade que o talhou, como instituição máxima, aglutinando as esferas política, jurídica, mágico-religiosa e mística.
A língua Sateré-Mawé integra o tronco lingüístico Tupi. Segundo o etnógrafo Curt Nimuendaju (1948), ela difere do Guarani-Tupinambá. Os pronomes concordam perfeitamente com a língua Curuaya-Munduruku, e a gramática, ao que tudo indica, é tupi. O vocabulário mawé contém elementos completamente estranhos ao Tupi, mas não pode ser relacionado a nenhuma outra família lingüística. Desde o século XVIII, seu repertório incorporou numerosas palavras da língua geral. Os homens atualmente são bilíngües, falando o Sateré-Mawé e o português, mas a maioria das mulheres, apesar de três séculos de contato com os brancos, só fala a língua Sateré-Mawé como forma de resistência.


Quer mais informação? 
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  • ALVAREZ, Gabriel O. Os Satere-Mawé. In: ALVAREZ, Gabriel O.; REYNARD, Nicolas (Org.). Amazônia cidadã : previdência social entre as populações tradicionais da região Norte do Brasil. Brasília : MPAS, 2000. p. 78-95. (Coleção previdência Social, Série Especial, 1)
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  • Guaraná, olho de gente. Dir.: Aurélio Michiles. Vídeo Cor, 40 min., 1982. Prod.: Cinevídeo Céuvagem.
  • O sangue da terra. Dir.: Aurélio Michiles. Vídeo Cor, 35 min., 1983. Prod.: Cinevídeo

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