Iorana Korua/Koho-Mai/Bem-Vindo/Yaa'hata'/Che-Hun-Ta-Mo/Kedu/Imaynalla Kasanki Llaktamasi/Tsilugi/Mba'éichapa/Bienvenido/Benvenuto/Yá´at´ééh/Liaali/Bienvenue/Welcome/Kamisaraki Jillatanaka Kullanaka/Mari Mari Kom Pu Che/Etorri/Dzieñ Dobry/Bienplegau/Καλώς Ήρθατε/ Kamisaraki Jillatanaka Kullanaka/Sensak Pichau!!

Meu compromisso é com a Memória do "Invisível".

Pelo direito a autodeterminação dos povos e apoiando a descolonização do saber.

Ano 5523 de Abya Yala

523 anos de Resistência Indígena Continental.

JALLALLA PACHAMAMA, SUMAQ MAMA!

Témet timuyayaualúuat sansé uan ni taltikpak
Nós mesmos giramos unidos ao Universo.
Memória, Resistência e Consciência.

3.11.08

Sim, sou Kaingang.


Menina Kaigang* em Porto Alegre brincando com um colar enquanto a família vende  a sua Arte.



Os Kaingang ou Kanhgág (em português caingangue) vivem hoje em mais de 30 Terras Indígenas distribuídas nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul no Brasil e na Argentina. Como outros grupos da família lingüística Macro-Jê, são caracterizados como sociedades sociocêntricas que reconhecem princípios sociocosmológicos dualistas, apresentando um sistema de metades. Nimuendajú (1913) foi o primeiro a afirmar que os Kaingang estão articulados através do reconhecimento de um sistema de metades na figura dos irmãos mitológicos Kamé e Kairu.

Kamé e Kairu não apenas criaram os seres da natureza, mas também as regras de conduta para os homens, definindo a fórmula de recrutamento das metades (patrilinearidade) e estabelecendo a forma como as metades deveriam relacionar-se (exogamia). “Chegaram a um campo grande, reuniram-se aos Kaingang e deliberaram casar os moços e as moças. Casaram-se primeiro os Kairucrés com as filhas dos Kamés, estes com as daqueles, e como ainda sobravam homens, casaram-se com as filhas dos Kaingang”. A complementaridade entre os irmãos mitológicos Kamé e Kairu é explícita: os Kamé trabalhavam durante o dia para fazer os animais que pertencem a esta metade, os Kairu, inversamente, trabalhavam à noite; o sol pertence a metade Kamé, a lua à metade Kairu.
A dispersão de grupos pelos campos e matas de seu território tradicional não impediu e não impede que eles reconheçam um sistema cosmológico comum. Efetivamente, ainda hoje os grupos Kaingang, além de da mitologia mitológico compartilham crenças e práticas acerca de suas experiências rituais – o profundo respeito aos mortos e o apego às terras onde estão enterrados seus umbigos são expressões incontestáveis do valor estruturante da cosmologia para estes índios.

A demarcação de boa parte das terras Kaingang ocorreu no começo do século XX. Porém, a demarcação não impediu que essas terras fossem invadidas e griladas. O fato gerou conflitos entre os Kaingang e os invasores, obrigando a uma mudança em delimitações originalmente feitas pelo Estado, desfavorecendo os indígenas em diversos casos.
Os Kaingang correspondem a quase 50% de toda população dos povos de língua Jê, sendo um dos cinco povos indígenas mais populosos no Brasil.

* A nação Kaingang que vende artesanato em Porto Alegre habita no Morro do Osso que é um dos últimos resquícios da Mata Atlântica da região. As principais motivações da ocupação do Morro do Osso pelos Kaingang estão relacionadas à existência de um cemitério indígena e da localização de restos de casas subterrâneas que consideram de sua ancestralidade, somando-se a este fato a iminente derrubada de parte da mata que não encontra-se nos limites legais do parque municipal para a construção de um condomínio horizontal pela especulação imobiliária.

Para saber mais sobre a presença Kaingang no Morro do Osso:
-Rauber, Rita Cristina. O conflito de ocupação territorial do Morro do Osso em Porto Alegre, RS, Brasil, entre um grupo Kaingang e a Prefeitura Municipal de Porto Alegre. In. VI Reunião de Antropologia do Mercosul (RAM). GT 12. Montevideo. 2005.
-Saldanha, J.R. Reflexões acerca da conjuntura da presença Kaingang na paisagem de Porto Alegre/RS através de uma antropologia da estética. In. XXVI Reunião Brasileira de Antropologia (RBA). GT 30. Porto Seguro, BA. 2008.
-Souza Pradella, Luiz Gustavo. Tempo, espaço e referência: marcos de ambiência kaingang no Morro do Osso. In. XXVI Reunião Brasileira de Antropologia (RBA). GT 34. Porto Seguro, BA. 2008.
-Fagundes, Luiz Fernando; Rosa, Patricia Carvalho e Souza Pradella, Luiz Gustavo. Os Kujã vão na frente: Uma narrativa Kaingang pela Terra (Documentário). NIT-UFRGS. Porto Alegre. 2006.

*Etnolinguística:
Biblioteca Digital Curt Nimuendaju


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