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Meu compromisso é com a Memória do "Invisível".

Pelo direito a autodeterminação dos povos e apoiando a descolonização do saber.

Ano 5523 de Abya Yala

523 anos de Resistência Indígena Continental.

JALLALLA PACHAMAMA, SUMAQ MAMA!

Témet timuyayaualúuat sansé uan ni taltikpak
Nós mesmos giramos unidos ao Universo.
Memória, Resistência e Consciência.

13.9.09

Jejuvy-Suicídio Ritual entre Kaiowá-Guarani


Jejuvy é ritual de morte.
Um suicídio a cada dez dias.
2008 foi o ano que 40 Kaiowá-Guarani desistiram de viver.
Ao longo dos últimos vinte anos, mais de 517 Guarani-Kaiowá cometeram suicídio; em sua maioria jovens.

O vocábulo Jejuvy em Guarani tem grande simbologia porque significa sufocamento, estar sem voz, impossibilidade de falar, palavra sufocada, alma escrava. É através do ritual do jejuvy que os Kaiowá praticam o suicídio, por enforcamento ou ingestão de veneno. Apesar de ser reconhecido como prática ritual ancestral, nos últimos anos o jejuvy se alastra pelas aldeias em escala epidêmica, cerca de 50 suicídios por ano envolvendo jovens de 9 a 14 anos de idade.
Segundo dados do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) o número de suicídios começou a aumentar nos anos 80, dobrou na década de 90 e na virada do século XXI bateu o recorde de mortes.

Os suicídios (jejuvy) são efetuados basicamente por enforcamento ou na ingestão de de agrotóxicos (mais recentemente) utilizados nas lavouras dos "agropecuaristas" que roubaram as terras dos Guarani-Kaiowá,  sem que exista o derramamento de sangue ou cortes físicos, para que não se perca a palavra. 
Os Guarani consideram o suicídio uma doença produzida pela prisão da palavra (alma) é pela boca que a palavra se liberta. Se não há lugar para a palavra, não há vida. Desse modo na hora de morrer não deve ser utilizado o corte contra si mesmo, pois a palavra se dispersaria. Sufocando-a ela permaneceria como um aglomerado de energia (alma) e poderia voltar a vingar em algum outro momento (reencarnação).
Segundo a oralidade dos próprios Kaiowa sobre os indígenas que cometeram suicídio: existe um grande sentido político de coletividade, "um estar entre os outros" produzindo signos potentes: os enforcamentos e os  envenenamentos. A busca do resgate de uma “forma de ser”, como os Kaiowas costumam falar. E se para eles a linguagem é uma das mais importantes formas de fazer o ser se manifestar, ao impedi-la, impede-se também os sujeitos de existirem. O suicídio epidêmico seria a resposta coletiva à imposibilidade de expressar a singularidade desse povo.



Jejuvy é ritual de morte, mas também de libertação da palavra e da  "inexistência"- invisibilidade. 
Jejuvy é a plenitude da palavra resistência.

Família linguística: Tupi-Guarani
Onde estão: Mato Grosso do Sul (Brasil) e Paraguai
Quantos são: 20.000 (senso de 2003)
Fonte: Socioambiental

* A desnutrição mata muitas crianças e o número dos assassinatos cometidos contra os Kaiowá Guarani é o mais alto entre as populações indígenas no Brasil. Dos 60 assassinatos de indígenas ocorridos no Brasil inteiro em 2008, 42 vítimas (70% do total) eram do povo Guarani-Kaiowá, do Mato Grosso do Sul, de acordo com dados Conselho Indígenista Missionário (Cimi). “Ninguém é condenado quando mata um índio. Na verdade, os condenados até hoje são os indígenas, não os assassinos”, afirma Anastácio Peralta, liderança do povo Guarani-Kaiowá da região.

Foto Survival


http://www.campanhaguarani.org.br
http:diplo.uol.com.br/2008-02.a2168
http://www.midiaindependente.org
http://survival.org/tribes/guarani

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