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Meu compromisso é com a Memória do "Invisível".

Pelo direito a autodeterminação dos povos e apoiando a descolonização do saber.

Ano 5523 de Abya Yala

523 anos de Resistência Indígena Continental.

JALLALLA PACHAMAMA, SUMAQ MAMA!

Témet timuyayaualúuat sansé uan ni taltikpak
Nós mesmos giramos unidos ao Universo.
Memória, Resistência e Consciência.

8.2.09

Viajantes Transcedentais.

O Uso do Peyote por Grupos Indígenas.
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 O Peyote está em risco de extinção pela grande utilização por pessoas que não fazem parte de nenhuma comunidade indígena. Segundo o especialista Pedro Medellín , que desenvolve um projeto sobre o tema, é enfático: “Se o Peyote desaparecer, então toda uma cultura desaparecerá”  porque é parte mais importante dos rituais sagrados dos Huichol.


O Peyote (Peyotl e Jículi) (Lopophora Williansi) é uma planta alucinógena nativa da América Central. É um cactus considerado uma droga mística que permite a viagem alucinante do espírito. O seu princípio ativo é a Mescalina. Utilizado por algumas etnias do México em rituais e por eles chamado de Hikuri. Supõe-se que o Peyote já era conhecido e utilizado pelos índios da América Central há pelo menos 2000 anos. Por muitos séculos, o culto com o peyote existia entre os Aztecas. Segundo a História Oral,  o uso para rituais iniciou-se na tribo Tarahumara, que vivia aonde havia grande quantidade que nascia espontaneamente. Daí o uso se espalhou, sendo usado nas tribos Cora e Huichol.


Quando os colonizadores espanhóis chegaram na América Central, o hábito de usar o Peyote nos rituais religiosos já era muito comum e foi por eles denominado “artifício satânico”,  já que acreditavam que evocava espíritos malignos. Além de provocar grande controvérsia, o hábito foi fortemente condenado pelo governo local e por diversos grupos religiosos.
Os primeiros registros europeus sobre o peyote foram de Frei Bernardino Sahagún, esses registros foram publicados somente no século XIX e neles Frei Bernardino descrevia o uso por grupos
Chichimeca
Os indígenas sofreram repressões e perseguições, já que a Igreja Católica se opunha ao uso religioso do peyote e por isso algumas tribos foram para as montanhas se esconder dos espanhóis, onde o uso do cactus se difundiu ainda mais.


No final do século XIX, devido à tentativa européia de deter o uso do peyote, muitos dos povos que cultivavam esse hábito começaram a desfigurar-se, desintegrar-se. Tendo isso em vista, um grupo de líderes de vários povos indígenas se reuniram e começaram a difundir novamente o peyotismo, que agora se adaptava às novas necessidades. Esse novo peyotismo se difundiu principalmente entre as tribos Kiowa, Navajo e Comanche aonde voltou com mais força do que nunca, sofreu mais uma vez repressão do governo, que se opôs sem apresentar argumentos científicos e tampouco lógicos para defender sua posição. Para não perderem totalmente sua herança cultural, os índios viram-se obrigados a organizar o peyotismo dentro de uma religião reconhecida legalmente e formaram, em 1885, a Igreja Indígena Americana.
Utilizado em rituais, o botão (caroço do Peyote) é mascado ou misturado com bebidas e seus efeitos duram de dois a três dias. Os rituais, mesmo que diferentes entre os grupos, de uma maneira geral consistem primeiro na colheita do peyote e depois na cerimônia.
A colheita envolvia toda uma preparação e podia ser considerada a primeira parte do ritual: os indígenas que iam em busca do cactus deveriam participar de uma reunião na qual havia a purificação e a confissão, onde eles relatavam seus encontros sexuais. Os grupos viajavam grandes distâncias a pé e durante o percurso o ritual continuava, com as histórias dos ancestrais contadas pelo
Xamã e com o pedido de proteção para o resto da jornada.
Quando o peyote era encontrado, então colhido e levado para a realização da segunda parte do ritual, a cerimônia., que durava a noite inteira e envolvia a ingestão em grupo do peyote, músicas, cantigas e dança. As cantigas eram preces, que pediam proteção, poder e compreensão aos deuses. A participação das mulheres nas cerimônias era permitida, porém, elas normalmente não participam nas cantigas. As crianças acima de dez anos também podiam assistir ao ritual, mas não podiam participar ativamente até que se tornassem adultos.
O Peyote é considerado até hoje um protetor espiritual, pois faz com que não sintam medo, fome ou sede. É utilizado como amuleto sagrado, panacéia (remédio para todos os males) e para provocar visões, que permitem fazer profecias. Também é usado para a comunicação com os seus deuses: eles acreditavam que o Peyote é um intermediário.
O ritual era e é  feito por diversos motivos: para trazer prosperidade e saúde para o grupo, para pedir uma boa colheita, para festejar nascimentos ou aniversários.També é utilizado em cerimônias funerais, como na tribo
Kickapoo. Além é claro, para fazer viagens transcendentais aonde são escolhidos alguns membros comprometidos com a sociedade  para participar.
Usado como medicina é aplicado nas juntas, e alivia as dores. Mas, mesmo na medicina, o Peyote têm
misticismo: acreditava-se que ele coloca o Xamã em contato com os maus espíritos que provocavam as doenças e assim acontecem as curas.

Atualmente, os rituais em que o peyote é utilizado ainda são bem semelhantes aos descritos no século XVII e embora tenham características do cristianismo, conservam seus propósitos e crenças.
Neste intuito, alguns grupos percorrem parte do caminho para a colheita do peyote e outras, como a tribo
Tarahumara, por exemplo, compram o peyote de povos que conservam o ritual de colheita ou simplesmente o encomendam para outros grupos. Porém, ainda existem alguns povos que conservam todo o ritual da colheita do cactus.

A importância do Peyotismo é tal que os indígenas que não participam dos rituais são considerados excluídos da sociedade. 
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Quer mais informação?
*People of the Peyote de S. Schaefer & P. Furst

*Autobiography of a Winnebago Indian de Paul Radin

*DF Aberle, Peyote A Religião entre os Navajo (1982);
 EF Anderson, Peyote (1980); 
OC Stewart, Peyote Religião (1987) 
e Peyotism no Ocidente (1984).

* Este post não é uma apologia ao uso de alucinógenos.

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