Iorana Korua/Koho-Mai/Bem-Vindo/Yaa'hata'/Che-Hun-Ta-Mo/Kedu/Imaynalla Kasanki Llaktamasi/Tsilugi/Mba'éichapa/Bienvenido/Benvenuto/Yá´at´ééh/Liaali/Bienvenue/Welcome/Kamisaraki Jillatanaka Kullanaka/Mari Mari Kom Pu Che/Etorri/Dzieñ Dobry/Bienplegau/Καλώς Ήρθατε/ Kamisaraki Jillatanaka Kullanaka/Sensak Pichau!!

Meu compromisso é com a Memória do "Invisível".

Pelo direito a autodeterminação dos povos e apoiando a descolonização do saber.

Ano 5523 de Abya Yala

523 anos de Resistência Indígena Continental.

JALLALLA PACHAMAMA, SUMAQ MAMA!

Témet timuyayaualúuat sansé uan ni taltikpak
Nós mesmos giramos unidos ao Universo.
Memória, Resistência e Consciência.

24.2.10

Recordando Kenule Saro-Wiwa (Ken Beeson)



A verdadeira prisão
Não é o teto que goteja
Nem o zumbido dos mosquitos
Dentro da cela sórdida e escura
Não é o barulho das chaves
Quando o guarda fecha tudo
Não é a comida miserável
Imprópria para o animal ou para o homem
Tampouco os dias vazios
Que se fundem no nada da noite
 Não é isso !
Não é isso.
Não é tudo isso ...
São todos os enganos introduzidos
Pelas nossa orelhas durante todas as gerações
É o agente da polícia
É a sua fúria homicida
Executor sem animo de ordens desastrosas
Em troca de um pequeno pagamento 

O juiz que condena
Una pena que não é merecida
A decrepitude moral
A inépcia mental
Ordinária dos ditadores
A covardia disfarçada
Escondida dentro das nossas almas perdidas
O medo que molha os nossos calções
Que não ousamos lavar.
É Isso !
É Isso !
É isso !
Que transforma o nosso mundo livre
em uma terrível prisão.
Ken Saro-Wiwa
(Poesia escrita na prisão)

Kenule Saro-Wiwa 

Ativista ambiental, escritor, produtor da Nigéria (África). Saro-Wiwa pertencia ao povo Ogoni, um grupo étnico minoritário nigeriano radicado no delta do Níger, e liderava - através do Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni - uma campanha não-violenta contra a degradação ambiental das terras e das águas da região pelas petrolíferas transnacional, especialmente a  Royal Dutch Shell. Por conta de seu ativismo, ele acabou preso em 1994 à mando do regime militar que governava o país naquela época. Em um processo judicial  fraudulento e criminoso, Saro-Wiwa foi condenado à morte e enforcado em 1995 sem nenhum direito à defesa.
  
*Em 2009, a gigante do petróleo Royal Dutch Shell concordou em pagar US$ 15,5 milhões de dólares  de indenização as famílias das vítimas dos abusos de direitos humanos na Nigéria. O valor foi fechado como parte de um acordo extrajudicial que conclui uma ação coletiva movida contra a Shell nos Estados Unidos em 1995 depois da morte de vários ativistas.
A empresa foi acusada em cortes americanas de cumplicidade na morte de ativistas nigerianos pela preservação do meio ambiente, entre eles o indicado ao  Nobel de Literatura Ken Saro-Wiwa, enforcado em 1995.
O caso foi levado à Justiça pelos parentes de Saro-Wiwa e de 8 de seus companheiros que foram presos e mortos porque  realizavam uma campanha pelos direitos do seu povo e protestavam contra a poluição causada pela indústria do petróleo.
As mortes provocaram uma onda de protestos internacionais.
A Shell negou reiteradamente (sic) (sempre negam) as alegações feitas no tribunal, de que foi cúmplice na violação dos direitos humanos perpetrada pelo governo militar da época, que incluíram tortura e execução sumária. A companhia também foi acusada de ajudar a financiar os militares nigerianos. A empresa disse que concordou em fazer um acordo extrajudicial na esperança de ajudar o "processo de reconciliação" (sic) na Nigéria.
O dinheiro foi destinado às famílias, inclusive o filho de Ken Saro-Wiwa, Ken Wiwa e à comunidade Ogoni.
Petróleo
Vastas reservas de petróleo foram descobertas na área habitada pelos Ogoni, na Nigéria, em 1958. Na década de 90, foi formado o Movimento pela Sobrevivência do Povo Ogoni (Mosop), presidido por Ken Saro-Wiwa. O Mosop acusou o governo de adotar uma tática de "dividir para governar", estimulando conflitos entre as comunidades locais e patrocinando todos os tipos de crime.

*A Shell continua na Nigéria e nas terras dos Ogoni - apesar de tudo.


Para saber mais:
Movement for the Survival of the Ogoni People
http://www.mosop.org/




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